November 18, 2017

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Um estudo sobre o trauma

Um estudo sobre o trauma.   Texto de *Caroline Gouvêa S. Wallner

 

Histórico:

Trauma e traumatismo, são termos já existentes há muito em medicina e cirurgia.

e logo parcialmente abandonado em favor da teoria das fantasias sexuais.

O termo em questão, aparece nos Estudos de Freud sobre a Histeria (1895), onde a ênfase é o fator econômico do processo, onde as experiências traumáticas devem sua força patogênica ao fato de produzirem quantidades de excitações elevadas para serem processadas pelo aparelho psíquico. Tudo se fundando sobre o princípio de constância.

Nesse, Freud verificou “ a agressão de filhas por pais – ou substitutos- incestuosos”. Fundou sobre o que então julgava serem fatos sua 1a Teoria da sedução , abandonada a partir de 1897 quando se deu conta da importância da

fantasia incestuosa em pacientes histéricos.estão ligadas ao trauma as noções de capitais de amnésia e de recalcamento, do só – depois, do latente e do manifesto.

“ A terapêutica utilizou de início a idéia de uma ‘evacuação” possível do trauma, lembrado e revivido por ocasião das sessões de hipnose: a catarse. Foi em face das insuficiências e fracassos desse método que Freud inaugurou um novo modo de tratamento à Psicanálise.”

( 3)

No texto de Freud,” Conferências Introdutórias sobre a Psicanálise”(1915-17), o termo “trauma” designa um acontecimento que surge num segundo tempo, e não as experiências infantis que encontramos na origem das fixações. Por exemplo, as neuroses de Guerra, que o conflito mundial de 1914-1918 permitiu observar a existência das neuroses de acidente, e mais especialmente, as neuroses de guerra, ou situações de perigo inevitável que são vividas pelo ser humano como a imaturidade neonatal, entre outras.

Do ponto de vista teórico, “Além do Princípio do prazer”,atesta a definição econômica do trauma como efração retomada por Freud, que o levou a pensar na hipótese de que um excesso de excitação, ponha de imediato fora do jogo o princípio de prazer, assim, obrigando o aparelho psíquico a realizar uma tarefa mais urgente, “ além do princípio do prazer”, onde essa busca ligar as excitações de forma a permitir a sua descarga.

A noção de trauma vem assumir maior valor na teoria da angústia, em ‘Inibição, sintoma e angústia”de Freud, 1926.

“ O ego, ao desencadear o sinal de angústia, procura evitar ser submerso pelo aparecimento da angústia automática que define a situação traumática em que o ego se vê sem recursos.” ( 4)

O trauma está ligado ao estado de impotência ou desamparo do organismo receptor. O fator individual, ou subjetivo, estava em primeiro plano e explica a diferença de reação dos sujeitos a uma mesma situação catastrófica.

O que importa para o estudo da psicanálise é evitar em seu devido lugar a eventual abordagem do efeito do trauma com suas considerações terapêuticas implícitas.. E lembrar que o termo trauma como tal é um equívoco de tradução, pois Freud quis utilizá-lo no sentido de uma marca, que pode ter efeitos positivos ou negativos, dependerá da situação e da suscetibilidade subjetiva de cada indivíduo.

Trauma , essa palavra vem de origem do grego,que significa ferida, e é derivada de furar, designando uma ferida com efração. Traumatismo, seria as conseqüências no conjunto do organismo de uma lesão resultante de uma violência externa. Essa noção de efração do revestimento cutâneo, nem sempre está presente, fala-se, por exemplo, de “traumatismos crânios-cerebrais fechados” . E na medicina, houve quem percebesse que os dois termos “trauma “ e “traumatismo” tendem a ser utilizados de forma equivalentes.(1)

“ Acontecimento da vida do sujeito que se define pela sua intensidade, pela incapacidade em que se encontra o sujeito de patogênicos duradouros que provoca na organização psíquica.

Em termos econômicos, o traumatismo caracteriza-se por um afluxo de excitações que é excessivo em relação á tolerância do sujeito e a sua capacidade de dominar e de elaborar psiquicamente estas excitações.” (2)

Uma coisa importante, é que Freud só se refere a trauma, não de traumatismo, onde essa atinge o sujeito de forma externa e aquela, ao efeito produzido por essa ocorrência no sujeito, no domínio psíquico.

O trauma ocupa um lugar historicamente fundamental em psicanálise.

Desenvolvimento:

Tradicionalmente, pode ser considerada,a teoria do trauma como a primeira hipótese etiológica da histeria, como um termo separado na constituição do saber psicanalítico, como a pré história da psicanálise.

A idéia de trauma ressurge em textos posteriores, associada ao excesso de excitações pulsionais que ficam fora do princípio do prazer, associada a um real nas origens da angústia, associada ‘a impressões que se inscrevem como traços mnêmicos.

A noção de Trauma situa-se não só nas fronteiras da história da constituição da teoria freudiana, mas em outras fronteiras do campo psicanalítico- na gênese do aparelho psíquico, no limiar do analisável, nos limites da representação” ..( 5).

No período compreendido entre 1890 e 1897, a teoria psicanalítica, se constitui paulatinamente em torno de uma concepção da etiologia das neuroses organizada a partir da noção de trauma. As primeiras reflexões sobre o tema encontram-se na Comunicação Preliminar,nesse texto, Freud e Breuer falam sobre a Histeria(1893) e posteriormente, em seus Estudos sobre a Histeria(1895).

“ Pra a maioria dos sintomas histéricos, as causas desencadeadoras só podem ser descritas como traumas psíquicos. Qualquer experiência que possa evocar afetos aflitivos tais como os de susto, angústia, vergonha, dor física- pode atuar como um trauma dessa natureza; e o fato de isso acontecer de verdade depende , naturalmente, da suscetibilidade da pessoa afetada… Essas causas só puderam exercer um efeito traumático por adição e constituem um conjunto por serem, em parte, componentes de uma mesma história de sofrimento…”( 6)

Essas causas só puderam exercer um efeito traumático por adição e constituem um conjunto por serem,em parte, componentes de uma mesma história de sofrimento.

A lembrança do fato “traumático’ não acompanhado de afeto, não produz nenhum resultado. O processo psíquico originalmente ocorrido deve ser repetido da maneira mais nítida possível, com um maior número de detalhes possível e traduzido o afeto em palavras.

“O método hipno-catártico baseia-se no poder libertador da palavra-inaugurado por Anna O. – já que as lembranças traumáticas perdem seu poder patogênico quando são evocadas e integradas nas cadeias associativas ( as quais possuem sempre mais de dois elos, as cenas traumáticas não formam nexos simples, como as pérolas de um colar , mas nexos ramificados, como uma árvore genealógica… os sintomas estão , sobre determinados, ou seja, são produzidos por conjuntos de cenas traumáticas concatenadas. E essas cadeias de cenas se entrelaçam, formando pontos nodais(pontos de entrecruzamento de duas ou mais cadeias). Como geralmente a representação patógena apresenta-se como uma imagem visual, o trabalho consiste emir desgastando essa imagem pela tradução em palavras, já que, na medida em as imagens podem ser nomeadas e entram na cadeia associativa, perdem seu caráter traumático.” (7).

Esse método hipno-catártico, mais tarde foi abandonado por Freud, pela hipnose se censurável, por ocultar a resistência e por ter assim impedido ao conhecimento do jogo de forças psíquicas. E não elimina a resistência, apenas a evade, com o que fornece tão somente dados incompletos e resultados passageiros.Passou assim a adotar o método da associação livre( deixar a pessoa falar o que lhe vier à memória , sem críticas).

Segundo Freud, “ nos casos de histeria trauma´tica, contudo, a ênfase principal recai na natureza do trauma, embora, é claro, considerada em conjunto com a reação do sujeito ao mesmo”. Desenvolve-se uma incompatibilidade entre o ego e alguma idéia a ele apresentada, essa idéia é recalcada para o inconsciente.

Quando esse processo ocorre pela primeira vez, passa a existir   um núcleo, um centro de cristalização para a formação de um grupo psíquico separado do ego, um grupo em torno do qual tudo o que implicaria uma aceitação da idéia incompatível passa a se reunir. O que o sujeito desejava era eliminar uma idéia, como se jamais tivesse surgido, mas tudo o que se consegue fazer é isolá-la psiquicamente.

Em março de 1895, Freud conclui a última seção dos Estudos , cuja contribuição mais fundamental reside na descoberta da importância dos fatores sexuais na etiologia das neuroses. Ele escreve: “ na medida em que se possa falar em causas determinantes que levam à aquisição de neuroses, sua etiologia deve ser buscada em fatores sexuais”.

A sedução permitiu Freud articular o traumático ao sexual. A hipótese da sedução é que essa permite situar o traumático na vida pré-pubertária, articulando-o a uma concepção da temporalidade da sexualidade humana.

A teoria da sedução seria: num primeiro momento temos a cena da sedução em que um acriança é seduzida por um adulto perverso sem que isto excite sexualmente e num segundo momento, após a puberdade, um acontecimento que pode ser insignificante, desperta, por cadeia associativa, lembranças do primeiro evento.

O efeito traumático consiste na articulação desses dois tempos: a recordação da cena infantil, numa época em que já ocorreu a maturação fisiológica, é que produz um incremento da excitação sexual e desprazer. O caráter sexual é concebido desde o ponto de vista do adulto, já que a criança ( pré-púbere ) não teria condições físicas ou psíquicas para registrar a cena da sedução como sexual. O efeito do trauma só será considerado na puberdade.

A forma de defesa do ego contra esses “ataques” internos do indivíduo, atua-se o mecanismo do recalque. E esse recalque da cena primária é estruturante no indivíduo, e somente num posteriori, associado a cenas anteriores poderá desencadear sintomas.

Freud renuncia à teoria da sedução traumática como etiológica das neuroses, abandona algumas idéias, mas não renuncia nem a noção de sedução nem à noção de trauma.

Segundo Freud, 1895, a noção de trauma implica a idéia de afetos não descarregados, de um intensidade que, associada a uma lembrança, se torna patogênica. Em termos quantitativos, ela é como o incremento de excitação que não foi descarregado, como as quantidades ( de excitação) que não tiveram um escoamento pelas vias normais.

A primeira teoria do trauma foi elaborada nesse período de ( 1982-1987), nos Estudos sobre a Histeria, Comunicação Prelimenar, Neuropsicoses de Defesa, Teoria da Sedução.

O abandono da Teoria do trauma como etiologia das neuroses, se deu à partir do momento em que Freud revela a Fliess, na famosa carta de 21 de setembro de 1897, “ que não acreditava mais em seus neuróticos; que os traumas sexuais infantis não eram verdadeiros e tinham sido inventados por eles. Além disto, constata que nem nas psicoses mais graves, irrompem na consciência as lembranças inconscientes, pelo que deve abandonar a esperança de chegar a um completo conhecimento das evidências infantis inconscientes.”

Assim, Freud reconheceu seu erro de confundir fantasias com traumas efetivamente acontecidos, renunciando a etiologia traumática das neuroses.

“A idéia de trauma é deixada de lado quando a exploração freudiana centra-se na descoberta da realidade psíquica, do sentido dos sonhos, da sexualidade infantil, e o complexo de Édipo e do campo das representações inconscientes.” ( 8).

Depois do abandono da etiologia traumática das neurose em 1897, a noção de trauma psíquico ficará por vários anos excluída do vocabulário psicanalítico, restrita somente as neuroses traumáticas.

Em 1919, no texto Introdução ao Simpósio sobre as neuroses de Guerra, as neuroses de guerra serão concebidas como neuroses traumáticas, cujos trauma patogênicos não eram sexuais, embora, advertisse Freud, que isto não devesse levar a descartar o papel da sexualidade na etiologia destas neuroses.Freud considerou que as causas desssa neuroses eram o terror e o perigo de morte, uma vez entendidas como uma ameaça para o eu provinda do exterior.

Em 1920, no Além do princípio de prazer, a idéia de trauma reaparece, excluída do reinado do princípio de prazer ( tem uma sensação de desconforto no aparelho psíquico, um desprazer que busca o prazer) e intimamente articulado ao pulsional.

No texto, Ansiedade e vida instintual, Freud faz um comentário sobre o problema da ansiedade. “ A ansiedade neurótica, na forma de considerá-la, transformou-se em ansiedade realística, em temor a determinadas situações de perigo”. Perigo este, que objetivamente pode não causar um dano ou ter importância para o sujeito, mas sim aquele psicologicamente efetivado por ele na mente. Por exemplo o nascimento, modelo de estado de ansiedade, dificilmente pode ser considerado em si como causa de danos , embora possa remeter a um perigo.

“ O essencial no nascimento, assim como em toda situação de perigo, é que ele imprime à experiência mental um estado de excitação marcadamente intensa, que é sentida como desprazer e que não é possível dominar descarregando- a um estado desse tipo, perante o qual os esforços do princípio de prazer malogram, chamemo-lo de momento traumático.”

Segundo Freud, é apenas a magnitude da soma de excitação que transforma uma impressão em momento traumático, paralisa a função do princípio de prazer e confere à situação de perigo sua importância.

Durante a possibilidade de algo que é enigmático para o sujeito, que está marcado no aparelho psíquico ser revelado, gera-se uma ansiedade com uma determinada quantidade de libido que pode ser direcionada para algo externo, como por exemplo uma fobia de um cachorro.

A ansiedade é despertada como sinal de uma situação de perigo prévia.

Autores pós-freudianos:

Segundo Kaufman, no dicionário enciclopédico de Psicanálise, se atualmente é inadmissível considerar a patologia psicanalítica do trauma sem evocar, entre outras coisas, o genocídio judaico e suas repercussões sobre os sobreviventes, tende-se também a enfatizar o trauma, inevitável e de ordem inteiramente diversa, que constitui para cada ser humano, o trauma “arquioriginário” para o qual Sándor Ferenczi já chamara a atenção, trauma de marcas indeléveis e que não é alheio ao desenvolvimento do pensamento.

O trauma não cessou de atrair a atenção dos autores ao longo da história da Psicanálise. Desde Freud, depois Otto Rank, Sándor Ferenezi, e mais tarde a partir de 1960, Nicolas Abraham(1919-1975) e Maria Torok (1925-1998).

Suzana Pons Antunes, aborda em seu livro, Os caminhos do trauma, a partir das formulações teóricas de Nicolas Abraham e de Maria Torok. As investigações sobre a transmissão da vida psíquica através das sucessivas gerações conheceram uma renovação e um meio de aprofundamento. Os autores que se dedicaram a compreender as ressonâncias do trauma, bem como as possibilidades de reconstrução da vida psíquica diante de seus efeitos devastadores, insistem sobre o fato de que nada pode ser abolido que não apareça, em gerações seguintes, como enigma ou como impensado. As novas configurações psicopatológicas propostas por eles- a cripta e o fantasma – articulam –se com suas elaborações sobre a dimensão simbólica da experiência humana, privilegiando o, aspecto patológico da transmissão que, em sua abordagem, origina-se da impossibilidade de simbolizar eventos vividos como traumáticos.

O eixo central do desenvolvimento tórico de Abraham eTorok é o trauma, mas isso não aparece de forma explícita, não há nenhum texto dedicado diretamente à temática do trauma. Segundo ANTUNES, “ a teoria de ambos está fundada sobre dois eixos essenciais e indissociáveis- o trauma e a introjeção-, cujas interseções formam uma rede original e complexa, resultando em uma criação de novas figuras metapsicológicas, entre as quais destaca-se, a cripta e o fantasma. “ (10)

Abraham afirma que nosso corpo funciona desde o início como linguagem, daí as significações de base só podem ocorrer por um simbolizaão mais original realizada na filogênese, a respeito de traumatismos e de privações que afetaram a espécie. Ele fala sobre o simbólico em seu texto de 1961 “ O símbolo ou o além do fenômeno”. Concebe a simbolização como uma resultante de um conflito, onde enfatiza-se o caráter criativo e criador.

A cripta trata-se de uma configuração psíquica tratada pelos autores a partir de suas pesquisas sobre o luto patológico. A cripta representaria o enterro de uma determinada situação vivida como traumática, pela sua conservação em uma zona clivada do ego( a destruição de uma parte de si para possibilitar a sobrevivência do resto) .

O fantasma deriva-se da reflexão dos autores a respeito dos efeitos da cripta sobre as gerações posteriores.Os casos de fantasma tem origem em uma perturbação particularmente grave dentro de uma relação boa ou ruim entre os pais e o bebê.

“Transitando entre os regimes “individuais” e “sociais” do trauma, poderemos renovar a questão da transmissão transgeracional e dos violentos acontecimentos que constituem elos sociais da atualidade”.CHAIM SAMUEL KATZ.

Por: Caroline Gouvêa( Caroline Gouvêa S. Wallner) Administradora, Mentora e Editora de Psicanálise e Amor, Psicóloga clínica com um percurso clínico pela psicanálise há 10 anos. Consultório em Sorocaba/SP. caroline@psicanaliseeamor.com.br

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Bibliografia:

ANTUNES, Suzana Pons.Os caminhos do trauma: em Nicolas Abraham e Maria Torok, São Paulo: Escuta, 2003.

FREUD,Sigmund.Cominicação Preliminar(1893). In- Edição Standart Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud.Vol.II. rio de janiero: Imago, 1996.

_____________.Estudos Sobre a Histeria(1893-1895). In- ESB.Vol.II.Rio de Janeiro:Imago.1996.

____________. Conferência XXXII: A Ansiedade e Vida Instintual.In- ESB.Vol. XXII.Rio de Janeiro: Imago.1996.

___________.Além do Princípio do Prazer(1920/1922).In- ESB.VOL.XVIII.Rio de Janeiro: Imago.1976.

____________.Inibição , sintoma e angústia(1925/6) In-ESB.Vol XX.Rio de Janeiro: Imago.1995.

___________.Conferências Introdutórias sobre a Psicanálise.(1916/7)In- ESB.VOL.XVI. Rio de Janeiro.Imago.1976.

KAUFMANN, Pierre.Dicionário enciclopédico de Psicanálise: o legado de freud e Lacan. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1996.

LAPLANCHE, J. e PONTALIS,J.- B. Vcabulário da psicanálise.São Paulo: Martins Fontes.1986.

LEJARRAGA, Ana Lila. O trauma e seus destinos.Rio de Janeiro: Revinter.1996.

ROUDINESCO, Elizabeth e PLON,Michel. Dicionário de Psicanálise.Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1998

 

 

 

 

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