December 12, 2017

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Silêncio no setting analítico

 

Silêncio no setting analítico:

O silêncio do analisando – Silêncio vivo, que lugar é esse?

Luanna Lustosa

Nosso corpo abarca todas as palavras que calamos. Ao calar a boca, o corpo fala, como nos disse Freud: “Nenhum ser humano é capaz de esconder um segredo. Se a boca se cala, falam as pontas dos dedos”. E quando a palavra se esgota, o silêncio entra em cena…

No setting analítico podemos dizer que trata de um silêncio que carrega tantos “dizeres não-ditos”. E nesse discurso sem palavras, lá está, também, a manifestação do inconsciente, aquele que perpassa por todo o ato analítico. Como nos lembra J. – D. Nasio: “Calar-se quando necessário significa, portanto: o inconsciente é antes de tudo um “discurso sem palavras” “(2010).[1]

Estamos nos referindo aqui a um silêncio extremamente atuante durante a análise, silêncio vivo. Sim, o silêncio está presente no setting analítico e é tão importante quanto as palavras pronunciadas. Precisamos falar sobre esse silêncio vivo, que como a expressão já sugere, é recheado de “dizeres não-ditos”.

 

Certas circunstâncias fazem a pessoa calar;

toda palavra se esgota, não resta nada além do silêncio.

Este não é, porém, um vazio, uma mera ausência de som.

Pelo contrário, pode ser um espaço pleno de significados,

um silêncio vivo (J. – D. Nasio).

 

Ora silenciamos porque a ocasião –  ou o inconsciente, melhor dizendo ao se referir a análise – sugere que o silêncio se faça presente, como acontece muito ocasionalmente durante as sessões de análise, tanto por parte do analisando quanto por parte do analista; ora calamos por medo e/ou receio do que o outro possa falar diante do nosso discurso, mesmo que tenhamos muito a falar. Sendo assim, podemos falar em dois silêncios: um atuante que podemos percebê-lo dentro do setting analítico e o outro que anula o sujeito fazendo-o calar por medo. O analista escutará aos dois tipos de silêncio. Nos disse Theodor Reick:

 

O analista não escuta somente o que está nas palavras,

ele escuta também, o que as palavras não dizem.

Escuta com a “terceira orelha”, escutando o que

dizem o paciente e suas próprias vozes interiores,

que surge de suas profundezas inconscientes…

Para a psicanálise o que é dito não é o mais importante.

Parece-nos bem mais importante detectar o que

 o discurso esconde e o que o silêncio revela.

Portanto, para o profissional da Psicologia/Psicanálise, em ambos os casos, o silêncio será atuante pois, estará falando do sujeito de uma forma ou de outra; o silêncio fala, mesmo quando as palavras se esgotam. O analista precisa acolhê-lo; o que está para além das palavras ditas – o não-dito. O profissional precisa estar atento a todo tipo de sinal que o sujeito emite, mesmo que esse sinal seja o silêncio atuante e/ou que anula. Não só de palavra vive uma análise… O silêncio também a constitui.

“Não existe palavra sem resposta,

mesmo quando só encontro o silêncio,

desde que haja um ouvinte…

E esse é o centro de sua função na análise” (LACAN).

[1] Essa citação e as demais no decorrer do texto são do livro “O silêncio na psicanálise” de J. – D. Nasio (2010).

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Texto enviado pela autora no dia 27/11/2017

Sobre a Autora:

Luanna Katarine Soares da Cruz Lustosa-  Psicóloga – Psicanálise- CRP – 17/2356

Luanna Lustosa: psicóloga desde 2013 e especialista em Avaliação Psicológica. Atua na clínica seguindo a abordagem psicanalítica. Reside em Ceará-Mirim/RN, onde possui o seu consultório na Clínica Santa Gema.

Redes sociais:  Facebook: Luanna Lustosa

Página profissional do facebook: Psicóloga Luanna Lustosa

Instagram profissional: @luannalustosapsicologia

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Sobre o(a) Autor(a)

Psicanálise e Amor

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