November 18, 2017

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O Buraco

O Buraco

Cláudia Juliana O. Maciel

No começo, mal se sabia que ali havia um buraco, talvez esse último fosse pequeno ou pequeno demais era o corpo que o segurava. Mas aos poucos, o buraco se mostrou. Primeiro o corpo tentou preencher o buraco com um pouco de alimento. Por um curto período obteve sucesso, mas logo o buraco passou a crescer.
O corpo passou a jogar toda a atenção e carinho que absorvia dentro do buraco, mas esse continuava a crescer. O corpo e o buraco cresceram com o tempo, mas o buraco um pouco mais. O corpo então resolveu jogar pessoas inteiras dentro do buraco, mas parece que caiam sempre apenas pedaços das pessoas e o buraco não cessou de crescer. O buraco e o corpo estavam sempre juntos, mas o engraçado é que um não queria saber da existência do outro. O buraco começou a tentar comer o corpo e este último, rapidamente, tratou de jogar objetos maiores dentro do buraco. Primeiro jogou uma televisão, depois uma moto, mas o buraco ainda crescia. Jogou uma casa, um carro, um sítio e depois um novo carro. O buraco crescia e o corpo queria permanecer, era uma guerra silenciosa e estava cada vez maior.
O corpo, cansado, começou a tentar enganar o buraco. Jogou dentro dele algumas medicações, cigarros e bebidas e resolveu experimentar qualquer coisa que pudesse acalmar e conter o buraco. Não vendo resultado, o corpo jogou lá dentro ideias, política e crenças misturadas com mais um número gigantesco de pessoas. No final o corpo quis estragar tudo, inclusive o buraco, e resolveu adoecer. O corpo se acalmou no leito de um hospital e sozinho começou a olhar para trás.
Ele percebeu o quanto fora insatisfeito a vida toda, o quanto nada bastava, o quanto era incompleto. E com essa incrível descoberta, percebeu que poderia deixar de existir, não por que estava completo, mas porque descobriu que o buraco fazia parte dele, ele estava ali, era também o corpo, e não iria deixa-lo em hipótese alguma, até o fim.

Mas esse não é o fim.

O corpo resolveu voltar para casa, ele e o buraco. Os dois começaram a se aceitar e perceberam o quanto eram gratos um ao outro. O buraco resolveu diminuir seu ritmo de crescimento e o corpo…
bom, o corpo… esse resolveu cair fundo no buraco e aproveitar tudo que estava lá dentro, antes que fosse tarde demais.

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Sobre a autora: Cláudia Juliana Ochs Maciel CRP 12/12918 é  psicóloga e psicanalista em Tubarão e Laguna, ambas  ficam em Santa Catarina.
Facebook: www.facebook.com/claudiajuliana.psicologa
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Imagem: Direitos reservados a Cláudia Juliana.

Sobre o(a) Autor(a)

Psicanálise e Amor

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