November 18, 2017

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Memórias de um doente dos nervos

Memórias de um doente dos nervos

O testemunho de Daniel Paul Schreber (1842-1911) em

Memórias de um Doente dos Nervos (1903)

Do Prólogo
Considerando que tomei a decisão de, em um futuro próximo, solicitar minha saída do sanatório para voltar a viver entre pessoas civilizadas e na comunhão do lar com minha esposa, torna-se necessário fornecer às pessoas que vão constituir meu círculo de relações ao menos uma noção aproximada de minhas concepções religiosas, para que elas possam, se não compreender plenamente as aparentes estranhezas de minha conduta, ter ao menos uma idéia da necessidade que me impõe tais estranhezas. 

Da carta aberta ao Sr. Conselheiro Prof. Dr. Flechsig

Não tenho a menor dúvida de que o primeiro impulso para o que foi sempre considerado pelos meus médicos como meras “alucinações”, mas que significa para mim uma relação com forças sobrenaturais, consistiu em uma influência emanada do seu sistema nervoso sobre o meu sistema nervoso. 
Não preciso salientar a incalculável importância que teria alguma forma de confirmação de minhas suposições acima indicadas, sobretudo se estas encontrassem apoio em recordações que o senhor tivesse conservado na memória. Desta forma, a seqüência global da minha exposição ganharia credibilidade diante do mundo todo e seria imediatamente considerada como um problema científico sério a ser aprofundado por todos os meios possíveis.

A tradução brasileira

O leitor brasileiro de Schreber conta com um texto introdutório de autoria de Marilene Carone, intitulado: Da loucura de prestígio ao prestígio da loucura

Desta introdução destacamos uma apreciação dos objetivos da obra e os dados biográficos do autor

O reconhecimento que Schreber buscava

Em 1903, ao publicar as Memórias de um doente dos nervos, Daniel Paul Schreber acreditava que seu trabalho era uma valiosa contribuição para a pesquisa científica. Doente dos nervos, sim, mas não uma pessoa que sofre de turvação da razão. “Minha mente é tão clara quanto a de qualquer outra pessoa.” (07: M., p. 366). Esperava que o leitor confiasse na honestidade da sua palavra e na seriedade das suas intenções: “… pretendo que me sejam reconhecidas duas capacidades: por um lado, um inquebrantável amor à verdade, e por outro um dom de observação fora do comum” (08: M., p. 234).

A família Schreber

Daniel Paul Schreber (1842-1911) provinha de uma família de burgueses protestantes, abastados e cultos, que já no século XVIII buscavam a celebridade através do trabalho intelectual. Muitos de seus antepassados deixaram obra escrita sobre Direito, Economia, Pedagogia e Ciências Naturais, onde são recorrentes as preocupações com a moralidade e o bem da humanidade. Os livros de seu bisavô tinham por lema a frase “Escrevemos para a posteridade”. Seu pai, Daniel Gottlieb Moritz Schreber (1808-1861), era médico ortopedista e pedagogo, autor de cerca de vinte livros sobre ginástica, higiene e educação das crianças. Pregava uma doutrina educacional rígida e implacavelmente moralista, que objetivava exercer um controle completo sobre todos os aspectos da vida, desde os hábitos de alimentação até a vida espiritual do futuro cidadão. Acreditava que seu trabalho contribuiria para aperfeiçoar a obra de Deus e a sociedade humana. Para garantir a postura ereta do corpo da criança em todos os momentos do dia, inclusive durante o sono, D. G. M. Schreber projetou e construiu vários aparelhos ortopédicos de ferro e couro. A retidão do espírito era fruto do aprendizado precoce de todas as formas de contenção emocional e da supressão radical dos chama­dos sentimentos imorais, entre os quais naturalmente todas as manifestações da sexualidade.

Schreber, o jurista

A carreira de Schreber como jurista, funcionário do Ministério da Justiça do Reino da Saxônia, evoluía regularmente, com promoções sucessivas obtidas por nomeação direta ou eleição interna. Seu primeiro cargo foi o de escrivão-adjunto, passando a auditor da Corte de Apelação, assessor do Tribunal, conselheiro da Corte de Apelação. Em 1884, torna-se vice-presidente do Tribunal Regional de Chemnitz. Sua ambição provavelmente requeria algo mais, pois no dia 28 de outubro de 1884 concorreu às eleições parlamentares pelo Partido Nacional Liberal. Sofreu uma fragorosa derrota. Tinha 42 anos, estava casado há seis e tinha dezenove anos de carreira jurídica. Num jornal da Saxônia saiu nessa ocasião um artigo irônico sobre sua der­rota eleitoral, intitulado: “Quem conhece esse tal Dr. Schreber?” Para quem fora criado no culto orgulhoso dos méritos dos antepassados e fora testemunha da celebridade do pai, este artigo trazia impressa, como um insulto, a face pública do seu anonimato.

O encontro com Flechsig

A 8 de dezembro de 1884 Schreber foi internado na clínica para doenças nervosas da Universidade de Leipzig, dirigida então pelo Prof. Paul Emil Flechsig, uma das maiores autoridades da Psiquiatria e da Neurologia da época. Nas Memórias é breve a referência a este episódio. Schreber menciona uma crise de hipocondria com idéias de emagrecimento, “sem qualquer incidente relativo ao sobrenatural”. Hoje, sabemos que o quadro era mais grave, com manifestações delirantes não sistematizadas e duas tentativas de suicídio. Era sua primeira internação, mas não a primeira crise hipocondríaca: há referências vagas a um episódio de hipocondria em 1878, por ocasião do casamento. A ciência do Prof. Flechsig tratou o drama de Schreber com os recursos medicamentosos da época: morfina, hidrato de cloral, cânfora e brometo de potássio.

Schreber seguia os passos do pai. Em 1893, aos 51 anos, recebeu a visita de um ministro que lhe anunciava pessoalmente sua iminente nomeação para um cargo vitalício que representaria, para ele, o ponto máximo e último de sua carreira, e que, apesar de honrá-lo, lhe trouxe preocupação:
“Esta tarefa se tornava mais difícil e também impunha maiores esforços de tato no relacionamento pessoal pelo fato de que os membros do colégio (formado por cinco juízes), cuja presidência eu devia assumir, me ultrapassavam de longe em idade e além do mais estavam, pelo menos em certos aspectos, mais familiarizados do que eu com a prática do Tribunal no qual eu estreava” (Schreber, 1903/1985, p. 60).
O relato autobiográfico de Daniel Paul Schreber se tornou um dos recursos mais utilizados para o estudo da psicose, visto que seus delírios são descritos de forma muito detalhada.
A princípio, Schreber apresentava fraqueza intensa que dificultava sua locomoção e uma sensação de ataque cardíaco iminente. Passou então a se sentir perseguido por Flechsig, médico por quem nutria, até então, imensa gratidão. Achava que o mundo tinha se acabado e somente ele sobrevivera como homem. Em seguida, Deus assumiu o papel do inimigo que exigia sua emasculação: teria que se transformar em mulher, ser fecundado por raios divinos e criar uma nova raça de homens. Por inspiração direta de Deus e baseado na Ordem das Coisas, deveria redimir o mundo e devolver-lhe o estado perdido de beatitude.

De como seria bom(belo) ser mulher

Uma vez tive uma sensação que me perturbou da maneira mais estranha quando pensei nela depois em estado de vigília. Era a idéia de que deveria ser realmente bom(belo) ser uma mulher se submetendo ao coito. Essa idéia era tão alheia a todo o meu modo de sentir que, permito-me afirmar, em plena consciência eu a teria rejeitado com tal indignação que de fato, depois de tudo o que vivi nesse ínterim, não posso afastar a possibilidade de que ela me tenha sido inspirada por influência de forças exteriores.[36] (Capítulo IV das Memórias).

O pensamento de que “deveria ser realmente bom(belo) ser uma mulher se submetendo ao coito”, é uma ocorrência (Einfälle) que remete à angústia de não saber. O outro sexo se inscreve na série das quatro últimas coisas que nos é vedado saber. E aqui reportamos o leitor aos afrescos de Signorelli sobre o juízo, o céu, o inferno e o paraíso. O que significa o transformar-se em mulher nesse contexto? E quais as relações dessa fantasia e o desejo daqueles que querem mudar de sexo? Significaria ser cativado pelo Outro como objeto?

O delírio de emasculação a princípio é motivo de grande injúria para Schreber, e tais idéias só podem ser externas a ele; num segundo momento tal delírio passa a ser aceito, mas por se tratar de uma grande causa: no momento em que Schreber passar a ter um corpo feminino, poderá ser a Mulher de Deus, e assim gerar uma raça de novos homens, todos possuidores e nascidos do espírito de Schreber.

Ora, essa nova humanidade será concebida por um milagre, em uma fecundação sem relação sexual.

Schreber obteve sucesso na carreira de jurista. Nesse tipo de cargo, é exigido que se “julgue” os fatos literalmente, de acordo com a lei. Dessa forma, as resoluções que o indivíduo irá tomar já estão todas previstas, basta apenas aplicá-las. É interessante notar que, no momento em que é nomeado presidente do tribunal, a crise apresenta-se: nesse cargo,  Schreber precisaria pensar o texto da lei, e não apenas aplica-lo.

O caso Schreber de Freud

“E o paranóico constrói de novo o mundo não mais esplêndido, é verdade, mas pelo menos de maneira a poder viver nele mais uma vez. Constrói com o trabalho de seu delírio, esta formação delirante que presumimos ser o produto patológico, é, na realidade uma tentativa de restabelecimento, um processo de reconstrução. Tal reconstrução após uma catástrofe é bem sucedida em maior ou menor grau, mas nunca inteiramente. Nas palavras de Schreber, houve uma grande mudança interna no mundo. Mas o indivíduo recapturou uma relação e freqüentemente uma relação muito intensa, com as pessoas e as coisas do mundo, ainda que esta seja agora hostil, onde anteriormente fora esperançosamente afetuosa.” (Freud, 1911)

Freud faz uma análise do caso Schreber, a partir do qual também funda sua teoria acerca da psicose. Ele inovou ao considerar o delírio como uma forma de reorganização do aparelho psíquico, no sentido de uma tentativa de cura, concepção hoje tão estabelecida. Freud (1923) mostrou que delírios e alucinações não são efeitos imediatos de uma dada causa, mas uma defesa do Eu, na tentativa de se livrar de uma representação inassimilável, ameaçadora. Essa representação que ameaça o Eu está ligada à experiência de castração. Esse registro da experiência de castração é o que Freud denomina “representação intolerável”, e é contra essa representação que o Eu se defende pela foraclusão.
Inicialmente, Freud testou a hipótese do desejo homossexual projetado no outro como causa do delírio de perseguição na paranóia.
Mais tarde, Freud propõe que se avalie as condições para o recalque das representações de desejo.
Para que haja recalque se supõe um acolhimento primordial, uma Bejahung. É preciso uma acolhida inicial da palavra dirigida por um semelhante (cuidador), para que, em relação a essa palavra, o sujeito exerça um ato: “não quero isso”. Esse ato primordial de negação é o recalque originário. Nessa negação primordial, o sujeito admite que a palavra que lhe é dirigida tem existência. Sem acolhimento primordial dessa palavra, não há o recalque da mesma. O que foi internamente abolido retorna desde fora.

A função do delírio na Paranóia

A formação delirante em Schreber

O Delírio como defesa narcísica

O delírio que se transforma em destino

O caso Schreber de Lacan

Ao falar, nos dirigimos ao grande Outro, isto é, ao lugar virtual das possíveis combinações de traços significantes (fonemas de uma língua). Mas, e se esse grande Outro não for considerado um lugar simbólico? Nesse caso, ele poderá ser sobreposto ao outro, como um semelhante, um duplo que nos exige ser o que dizemos ser.

Nesse caso, o discurso é despersonalizado, pois quem fala não é o eu, mas o tu, como observador. O Outro, lugar do discurso, é tomado em Schreber como tu, um corpo estranho que o alfineta. É o outro enigmático, essencialmente imaginário, que está no nível do duplo do sujeito, que é ao mesmo tempo seu eu e não seu eu. Segundo Lacan (1988), o que caracteriza o mundo de Schreber é que o eu está perdido, e que só o tu subsiste.

Sobre o diagnóstico

Uma análise de características diferenciais entre a Neurose e a Psicose.

A estrutura Psicótica e o Caso Schreber.

A foraclusão do Nome do Pai em Schreber.

O caso Schreber e o DSM-IV: Paranóia ou Esquizofrenia Paranóide?

O testemunho e a experiência

O pathos e o passivamento em Schreber

À angústia que Schreber inicialmente vivera, segue-se a construção do delírio ao longo do processo de escrita.
O psicopatológico é Passivamento, pois Schreber passivou a angústia.  Temos acesso a esse passivamento pelo testemunho suas vivências.

O psicopatológico é Pathos, pois Schreber aprendeu com a experiência. Essa experiência é efeito da escrita.
É no relato de seus delírios paranóides que Schreber constrói outro Schreber, à espera da transformação e da salvação. Para além de suas alucinações e delírios, Schreber continuava um homem erudito e informado.

Para Schreber, seu livro é um testemunho de fatos.
E para nós? A publicação das memórias se inscreveria como parte do delírio?   Qual é a posição do leitor de Schreber? Por que o auto-relato não se torna obra literária?

A questão do pai no caso Schreber e a A verdade histórica

No terceiro capítulo das Memórias, Schreber abordava acontecimentos relativos aos familiares, mas esse capítulo não foi publicado. Niederland, a partir de 1950, realizou um trabalho de pesquisa comparando o conteúdo de livros do pai de Schreber com o conteúdo das Memórias de Schreber. Ele encontrou, então, ressonâncias da educação infantil preconizada nos livros do pai com as descrições dos “milagres divinos”. Por exemplo, em um livro-texto, o pai de Schreber indicava exercícios oculares durante a infância, incluindo a rápida mudança da atenção visual, forçando-se a criança a focalizar objetos delgados, observar detalhadamente objetos pequenos, a fazer comparações visuais entre eles, a avaliar distâncias, etc.
No mundo “miraculoso” do filho, estas experiências infantis parecem ressurgir no seguinte contexto (Ver capítulo XI das Memórias):

“Os homúnculos que se ocupavam de abrir e fechar os olhos ficavam em cima dos olhos, nos supercílios e de lá puxavam as pálpebras para cima e para baixo, a seu bel-prazer, servindo-se de fios muito finos, semelhantes a fios de teia de aranha. (…) Quando às vezes eu não queria permitir este levantar e abaixar de minhas pálpebras, e reagia contra isto, esta atitude provocava a indignação dos “homúnculos” (…) Quando às vezes eu tentava limpá-los de meus olhos com uma esponja, isto era considerado pelos raios como uma espécie de crime contra o poder milagroso de Deus”.[158]

Assim, conclui Niederland, o estudo analítico de algumas formações delirantes de Schreber revela uma indiscutível relação com as práticas que o pai adotava na educação de crianças. Essas ressonâncias são comparadas ao que Freud chamava de “verdade histórica” no mito de Moisés.

De acordo com Niederland (1981), o distanciamento pessoal de Deus e seu afastamento para um local remoto, sua retirada do convívio dos homens, suas estranhas dificuldades e sua vulnerabilidade ao contato com os homens também eram características do pai de Schreber quando adoeceu. Além do mais, Freud já havia salientado que o Deus de Schreber era uma divindade curiosamente insegura e fraca.

Enquanto Niederland se ocupou da verdade histórica referente ao pai de Schreber, Kittler (1990) encontrou, nas Memórias, referências e alusões às teorias e práticas de Flechsig. Para Kittler [citado por Santner], a língua de Schreber, a língua falada por seus nervos hiperexcitados, é a linguagem do neurologista experimental Flechsig. Portanto, o delírio é endereçado ao profissional que o tratava, e esse endereçamento se chama transferência.

A questão da transferência na psicose

Por algum tempo se pensou que a transferência não ocorresse em casos de psicose. De fato, Freud sustentou que não existe, na paranóia, esta parte da libido flutuante de que o psicanalista se apossaria para o tratamento das neuroses; a razão disto seria a regressão ao auto-erotismo, que arrebataria aquela parte da libido. A impossibilidade de tal transferência de uma libido livre para o analista tornaria a paranóia incurável do ponto de vista psicanalítico (Allouch, 1997). Esta concepção errônea desfez-se. Há a questão da transferência em Memórias de um Doente dos Nervos. Em vários excertos das memórias de Schreber, pode-se perceber uma transferência maciça para com o doutor Flechsig, tanto é que este ocupa um papel central no delírio de Schreber.

Construções a partir do caso Schreber

A voz do pensamento de Schreber

Schreber, Schreiben, Schrecken, Schmerz

O Eu Ideal e o ideal do Eu

O ideal do eu e o sobre-eu no caso Schreber

O duelo de Memórias

O Inconsciente em Schreber

Um destino fadado ao fracasso desde a origem?

Análise comparativa

Esta mira de Schreber

O que “Donnie Darko” nos diz sobre a paranóia?

Referências

Freud, S. (1987). Edição Standard brasileira das Obras psicológicas completas de S. F. Rio de Janeiro: Imago. “Notas psicanalíticas sobre um relato autobiográfico de um caso de paranóia (dementia paranoides)” (1911c)
Kittler, F. (1990) Discourse Networds 1800/1900. trad. M. Metteer e C. Cullens. Stanford: Stanford University Press.
Lacan, J. (1959/1998). “De uma questão preliminar a todo tratamento possível da psicose”. Em Escritos (pp.537-590). Rio de Janeiro: J. Zahar.
Lacan, J. (1985) O seminário: livro 3: [as psicoses 1955-1956]. Rio de Janeiro: J. Zahar.
Mannoni, O. (1973).  Chaves para o imaginário. Petrópolis: Vozes.

Melman, C. (2006) Retorno a Schreber. Porto Alegre: CMC Editora.

Niederland, W. G.  (1981). O caso Schreber: um perfil psicanalítico de uma personalidade paranóide. Rio de Janeiro: Campus.
Santner, E. L. (1997). A Alemanha de Schreber. Rio de Janeiro: Jorge Zahar.
Schreber, D. P. (2006). Memórias de um doente dos nervos. Tradução e introdução de Marilene Carone. 3.e.d São Paulo: Paz e Terra.

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Fonte texto: http://www.ufrgs.br/psicopatologia/schreber/

Fonte vídeo: Filme baseado na autobiografia de Daniel Paul Schreber. Traduzido pelos alunos do curso de Psicologia da Universidade Federal de Campina Grande. Disponível em : https://www.youtube.com/watch?v=JBCdWjLzu3A

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Psicanálise e Amor

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