November 18, 2017

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Educação, Escuta e Amor

Educação, Escuta e Amor

 

Tornou-se comum e repetitivo escutar de pais, professores, pedagogos, psicólogos, pediatras, psiquiatras e demais atores sociais palavras e jargões de ordem acerca das crianças e adolescentes: “Ele (a) é sem limite” e “Ele (a) é hiperativo”.
Quando ouço esses chavões estereotipados sobre as nossas crianças e nossos jovens sinto- me, ao mesmo tempo, alegre e triste.

Alegre porque penso que crianças e adolescentes devem mesmo ser sem limites e hiperativos. Prefiro vê-los explorando o nosso universo (agora é transverso), correndo, chutando, discordando, vivendo intensamente com suor e sangue do que se tornarem meros objetos de controle dos aparelhos ideológicos e repressivos de estado – Louis Althusser (1890-1990), atravessados e internalizados nesses agentes sociais mencionados acima.

Triste, pois percebo que realmente o sistema educacional público (instituições sociais molares) assim como o privado (família molecular) – termos emprestados da Esquizoanálise – não aprenderam o básico da educação e do ser humano até hoje. Basta apenas olhar a nossa história antiga e atual para perceber que é da natureza humana as coisas claudicarem sempre.

O genial médico vienense (que de médico não tinha nada), Sigmund Freud (1856-1939), apresentou-nos, no início do século passado, o indomável e indelével inconsciente, compondo e regendo o psiquismo humano, atropelando as pretensões morais e os bons costumes burgueses, desmontando a razão centrada na consciência do eu.

Assim, há algo nos sujeitos que sempre pulsa, muito além dos discursos morais e dos jargões estereotipados, implorando para ser escutado. Caso não seja, tornar-se-á repetitivo, enfadonho e atuante, refratários aos discursos pedagógicos da normatização e da disciplina moralista.

Quando eu digo escutar o sujeito, supostamente sem limite e hiperativo, não estou dizendo que se faz necessário ser psicanalista para isso, mas pelo menos ter tido algum contato com o seu próprio inconsciente e perceber que as coisas realmente mancam e devem mancar.

Nessa direção, escutar o sujeito é descentrar-se de seu próprio eu moral, esse supereu que fora produzido e moldado pelos educadores moralistas de outrora, haja vista que eles também não conseguiram produzir novos educadores senão esses que estão aí a repetir os velhos jargões anacrônicos e irrisórios de seus mestres, criando réus e culpados a Deus dará.

Portanto, uma educação que pretenda algum resultado diante de seus precários e inconsequentes diagnósticos das nossas crianças e adolescentes sem limites ou hiperativos, deve começar a educar a si mesma, sem a violência da vaidade egóica e abrir-se ao outro que se pretende educar. Há algo de humano que não é e nunca será educável: o seu desejo singular.

Ficar nesses velhos jargões: “Ele é sem limite”; “Ela é hiperativa” não tem construído nada produtivo, ao contrário, estamos criando uma sociedade de crianças e jovens cada vez mais sedada pelas ritalinas da vida, com os presídios cada vez mais lotados, inclusive, com a recente proposta da redução da maioridade penal (hilário). Até parece que as prisões disciplinares produzem algum resultado senão ritos penais vingativos, contra os quais os presidiários também se vingarão – Michel Foucault (1926-1984).

Assim, educadores morais fingem que trabalham e os nossos pequenos jovens fingem se educar… Grande falácia!
Alguma coisa do desejo singular está a pulsar, além de tudo e de todos…
Escute-me senão eu transbordo, não sei o quanto e nem para qual direção.

Escutar e educar é um constante ato de responsabilidade e de amor.

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 Escrito por Cássio Vilela Prado Brumadinho (MG), 08/12/2015.  Autor do livro: https://www.facebook.com/Livro-E-Você-Foi-Cagado-ou-Parido-Descubra-Antes-de-Morrer-1534985923458224/?fref=ts

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