October 20, 2017

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É cedo demais para ser tarde demais

Photo Credit To Imagem cedida por Claudia Juliana

Cláudia Juliana Ochs Maciel 

A clínica sempre me surpreende. As pessoas são surpreendentes, suas histórias são cheias de beleza, dor, alegria, fins e recomeços. A vida de cada um é uma música muito particular e escutar cada uma dessas melodias é para mim o mais rico privilégio.

Algumas notas se repetem em diferentes melodias, e estas vem chamando minha atenção ultimamente. Ocorre um discurso preponderante na fala da juventude: “é tarde demais”. E também faz um tempo que percebo um discurso comum na fala daqueles não tão “jovens” assim: “é tarde demais”. Isso faz com que eu me questione: Não está cedo demais para ser tarde demais em ambos os casos? Será que existe um tempo do tarde demais para ao menos se tentar?


Junto da possibilidade de concretização dos nossos mais belos (e às vezes secretos) desejos, vêm uma imensa responsabilidade e, com ela, um grande trabalho. Dá trabalho fincar firmes os pés no chão e ali permanecer para sustentar o próprio desejo. Dá trabalho não cair na mesmice, no “é o que tem para hoje”, no “que tiver de ser será”, no “é tarde demais”. Sim, dá muito trabalho ser o que se é de fato, viver a essência ou, ao menos, tentar experimentá-la. Destacar-se dá trabalho, sair daquele lugar comum onde todos parecem querer as mesmas coisas e se contentar com o “seguro” é realmente bem arriscado. Mas que maravilha, não? Viver é sim um grande risco. Estamos sempre nos arriscando a aprender, a sorrir, a ser mais forte, a cair, a elaborar, a repetir, a amar, a sofrer, a parar. 


O parar me assusta, o tarde demais me assusta. Não digo aqui que as pessoas devem fazer única e exclusivamente apenas o que gostam (pois a vida esta repleta de burocracias também), mas um abandono completo daquilo que muitas vezes é o que mais se ama, mais se quer, é muito triste. Sabemos que o tarde demais chega para todos, mas, enquanto se está vivo, sempre há uma nova possibilidade de deixar que sua música seja tocada e apreciada por aí. Escuto tantas músicas maravilhosas que, por medo do que o Outro possa pensar ou pelo medo de não conseguir tocar, acabam presas para sempre, nunca tocadas de fato. Parece-me que, nesse mundo imediatista em que vivemos, ocorre essa ilusão de que não há mais tempo para se percorrer o caminho do desejo e, por fim, há um contentamento apático com a própria existência. Mas o tempo não é o responsável por não se fazer aquilo que toca o coração, o tempo não é o inimigo aqui. É cedo demais para ser tarde demais, ainda há tempo para fazer a sua música vibrar além de você e lhe possibilitar (quem sabe) uma vida mais arriscada e sentida de forma mais plena. 

 

Ainda dá tempo de colocarmos nosso melhor som para tocar.  Bóra trabalhar pra isso!

Cláudia Juliana Ochs Maciel – Psicóloga, Psicanalista e atende em Tubarão, Santa Catarina/SC

Texto enviado para Psicanálise e Amor no dia 25/05/2016

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Psicanálise e Amor

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