November 17, 2017

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Dores do corpo, dores da alma

Texto de : María Celia Gabarrot

Dores do corpo, dores da alma

Os pacientes da Viena do fim do século XIX, que procuravam o doutor Sigmund Freud, sofriam de diversos sintomas físicos ante os quais a maioria dos médicos da época não conseguia identificar causas orgânicas e só podiam dizer “você não tem nada”. Sigmund Freud foi o primeiro que conseguiu escutar e interpretar de maneira diferente estas queixas, identificando que estes pacientes “não tinham nada que a medicina tradicional pudesse resolver”, mas tinham algo que estava relacionado com a alma, com a psique e que poderia ser entendido e resolvido desde outro lugar e desde outro saber.

Começa, assim, o estudo da psicanálise: a análise da alma. A partir deste novo saber se constata que algumas doenças com manifestações orgânicas ou físicas possuem causa emocional, uma causa não tangível, que não aparece nos exames, porém, está presente.

Como naquela época, hoje algumas pessoas sofrem de mal-estares físicos que também não encontram nenhuma causa ou justificativa orgânica desde a ciência médica. Nestas situações, se começa a procurar as causas no psiquismo, nas dores da alma.

Mas, como podemos compreender que nossa mente possa ter o poder de produzir um sintoma orgânico? A mente e o corpo são realmente dois campos muito diferentes? Ou a relação entre eles é mais profunda e entrelaçada do que imaginamos?

A relação corpo/psique se constrói desde quando somos pequenos, pois toda vivência relacionada ao corpo como dor, fome, ou satisfação, inscreve uma representação no psiquismo. Como também as manifestações emocionais de alegrias, tristezas, comoções e medos também vão se inscrevendo no corpo.

Assim, ante uma situação de medo, surgem manifestações orgânicas que conseguem ser interpretadas: “estou com coração acelerado por causa do susto” ou “estou tremendo de medo”. Isto resulta totalmente claro e compreensível, representamos psiquicamente o que acontece com o corpo, e nos colocamos como partícipes, como sujeitos relacionando a manifestação orgânica com a emoção recebida.

Porém, em algumas ocasiões acontece que algo do emocional aparece no corpo sem conseguir ser assim identificado e entendido. Então, o sintoma aparece aparentemente como algo exclusivamente físico, totalmente estranho e sem relação com as emoções e as vivências da pessoa.

Por exemplo, um paciente sofre inúmeros problemas de coluna, expressa aflito sobre que leva o mundo nas costas, que carrega o peso da família toda, mas não consegue se colocar na ligação de estes dois significantes. De modo similar, outro paciente reclama de uma vida muito instável, sofre sintomas de labirintites e falta de equilíbrio e não consegue se incluir na relação entre os fatos.

Um elo, onde ele se colocaria como sujeito, está faltando para que não consiga se sentir partícipe nisto que lhe acontece. A escuta destes sintomas, iniciada por Freud, e continuada pelos psicanalistas de hoje, possibilita encontrar estas ligações, estes elos significantes que associam as emoções com determinados sintomas do corpo. Conseguindo, assim, interpretar o que antes aparecia como só uma dor física inexplicável, agora como uma dor da alma.

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María Celia Gabarrot é psicanalista argentina radicada em Jundiaí -27/08/2015

Origem do texto: Dores do corpo, dores da alma http://www.jj.com.br/internas/estilo/noticias-643-dores-do-corpo-dores-da-alma

Imagens: Internet www.mensagensvirtuais.com.br

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Psicanálise e Amor

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