November 18, 2017

Agende Sua Consulta: (15) 98119.7327 | Sorocaba - SP

AONDE ESTÁ A FELICIDADE?

AONDE ESTÁ A FELICIDADE?

“Alles in der Welt lässt sich ertragen, Nur nicht eine Reihe von schönen Tagen”.

 

Tradução: “Nada é mais difícil de suportar que uma sucessão de dias belos”.

– Goethe, 1810, apud Freud, 1930/1976, p. 95.

Até quando esperar a felicidade plena do amanhã que nunca chega. Deposita-se tudo num tempo não vivido, constantemente postergado. Passado e presente se esvaem na doce ilusão de um futuro melhor.

O amanhã é apenas uma hipótese que não cessa de não chegar. Ele não se escreve no real, senão apenas numa fantasia de completude adiada que não se cansa de se frustrar.

O tempo parece não ter começo nem fim. Linha tênue, esticada entre o primeiro e o último suspiro do ser.

Portanto, a cronologia temporal dos relógios do tempo é um grande engano existencial que os homens adotaram na atemporalidade do ser.

Não existe passado nem existirá futuro, talvez, somente este presente que não se apreende, escoando tragicamente a sua substância essencial entre os dedos e as almas.

O agora, essência inapreensível, desde sempre e para sempre, mas que lança o homem nos sonhos e na beleza ingênua da existência.

Talvez a beleza de tudo seja a própria e frágil ingenuidade do lançar-se. Essa mesma ingenuidade retida na subtração da vontade schopenhaueriana e nos resíduos do desejo freudiano, mantendo cegamente a sua fé na felicidade do amanhã, embora os possíveis encontros felizes do futuro tão logo se transformem em instantes de agora(s) que se evanescem.

Entre a nostalgia do ontem e a fantasia do amanhã, o agora se escapa. A completude do agora é efêmera.

Vive-se da apologia a um passado supostamente mais feliz do que o presente e menos feliz do que o futuro. Ignora-se o permanente agora e se tenta fugir de sua temporalidade factual. Incongruência entre ser e tempo.

Nunca se está na mesma temporalidade do si mesmo, pois ser e tempo insistem em não se encontrarem na realidade do momento.

O suposto objeto de completude, mesmo em presença instantânea, sempre brinca de se esconder. Ao encontrá-lo em imaginários lugares, logo em seguida se dá conta que nele falta algo, ofuscando assim a ilusão de o seu brilho reluzente.

Assim, todo encontro é um desencontro entre o sujeito desejante e o seu objeto de completude imaginária. Por sua vez, esse outro objetal da fantasia é também um sujeito desejante. Daí os desencontros, o objeto é um sujeito em busca de seu objeto que também é um sujeito do desejo.

Assim, o desejo humano é sempre uma equivocação atemporal, posto que o seu objeto sublevado à condição de completude não cumpre a sua meta de plenitude, e, além disso, o objeto iludido é um incontrolável sujeito incompleto, pois desejante, logo faltoso. O sujeito do desejo quer se realizar no objeto eleito, apesar de que não o possa fazer de forma plena, talvez e apenas, parcialmente.

Quem sabe somente no ontem ou no amanhã se possa ser feliz… Agora não é possível da forma que se imaginava, sem que se saiba ao certo de que maneira se imaginasse.

Diante desse desencontro entre o ser e o tempo, entre o desejo e o seu objeto, tornou-se comum e cotidiano um planeta de ansiosos. Seres ansiando pela felicidade de outrora e pelo futuro que nunca chega. Bane-se o agora presencial. Dane-se ele, quer-se o passado e o futuro.

A maldição do ser em movimento de Heráclito triunfa sobre o ser estático de Parmênides. É a era do devir, a medida de todas as coisas.

Entretanto, quem sabe não se possa contentar com as migalhas das essências retidas em si mesmos nos pequenos encontros, nos instantes fugazes.

Portanto, se há uma saída, mínima que seja para a incompletude do desejo humano, talvez a direção aponte para um desejo menos idealizado de felicidade, através de uma compreensão perceptível e sensível no mais íntimo do ser.

O que não quer dizer a morte do desejo, mas a sua congruência temporal com os limites da evanescência do agora.

Necessário se faz certa sutil resignação. Para que tanto desejo de felicidade?

Isso é insuportável, conforme diria Goethe: “Nada é mais difícil de suportar que uma sucessão de dias belos”. Afinal de contas, por que não amar suavemente o agora neste instante?

Então, feliz natal e um feliz ano novo, no agora!

  __________________________________________________

Autor: 

Cássio Vilela Prado    Brumadinho (MG), 14/12/2015.

Livros publicados do autor:

www.amazon.com.br

 

Imagem Google:

https://www.google.com.br/search?q=tempo+e+felicidade&espv=2&biw=1280&bih=619&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ved=0ahUKEwig8ebkmNvJAhVLFJAKHZBdCJEQ_AUIBigB#imgrc=ddwET1TSNyMTYM%3A

 

 

 

Sobre o(a) Autor(a)

Psicanálise e Amor

Quer ser um colunista deste site?
Entre em contato.
Contato: caroline@psicanaliseeamor.com.br

Artigos Relacionados

Deixar um Comentário/Resposta