January 16, 2018

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Amor – Vida e Morte

Parceria Psicanálise e Amor

 Por: Cássio Vilela Prado *

“E o amor? Não que não seja a arte do encontro (como diz o poeta), mas talvez não deixe de ser, muito mais, a capacidade de suportar pacientemente (como diz o apóstolo), os momentos inevitáveis dos desencontros, nos quais constatamos, aturdidos, que o outro não corresponde, em absoluto, às ilusões de completude que, ingenuamente, nele teríamos depositado. ”Professor – Dr. Luís Flávio Silva Couto

Amor, uma palavra! O que significa isso? Desde os tempos míticos o amor está aí. E a morte também. Eros e Thanatos – Deuses da Mitologia – oriundos de Empédocles de Agrigento, nascido em cerca de 495 a.C., uma figura eminente e singular na história da civilização grega […].
Amor? Palavra que significa exatamente o quê? Não existe um único significado para isso, muito pelo contrário! Mas, já conjecturo que não seja algo do campo da consciência nem da racionalidade. Portanto irracional, animal, mas humano. Aquilo que não deixamos de ser o tempo todo: racional com o furor animal… Imortais?

Sigmund Freud (1856-1945), médico vienense, de forma magistral, utilizou-se da metáfora de Empédocles para juntar à edificação da sua Psicanálise conceitos importantes como Pulsão de Vida (Eros) e Pulsão de Morte (Thanatos).
A primeira, Pulsão de Vida, é tudo aquilo que une, enlaça, constrói. A segunda, Pulsão de Morte, é a desunião, o desenlace, a aniquilação. Os dois, unidos em um mesmo ser humano.

Portanto, somos união e desunião, construções e desconstruções, amor e ódio… vida e morte!
Tudo isso habita a gente, ao mesmo tempo!
Basta ver a história da humanidade. A nossa história é encantada. É um caso de amor e ódio. Encantamos com um primeiro outro, possivelmente a mamãe. Puro Eros que não queremos deixar. Acreditamos cegamente que vivemos no paraíso junto com ela.

De repente chega um outro (Outro), a mamãe retira o seu olhar dirigido para a gente e o desloca para outro lugar, possivelmente para o papai. Daí, percebemos, cada um do seu jeito, que perdemos o paraíso, Eros se foi. Thanatos chegou, a união e o amor encantado do paraíso imaginário de Eros se desfizeram, de forma amarga.

Fica uma perda, o anúncio do inferno… Entretanto, fazemos de tudo para resgatar o paraíso que se esvaiu, lançamo-nos numa busca sem fim pelo encanto perdido.
A maioria de nós tenta se utilizar de um recurso para evitar a dor causada por Thanatos. Talvez o único recurso que reste: a negação. “É tudo mentira, Thanatos não existe. Viva Eros! Eu completo a mamãe e a mamãe me completa!”.

E assim, uns alucinam, outros se pervertem e outros mais se sucumbem contrariados à angústia da perda do suposto objeto de completude (castração).
Ninguém aceita a perda do amor imaginário encantado. Porém, ela é estruturante para cada um de nós.

Essa perda essencial, embora absolutamente traumática, é indelével.
Cada qual, de forma nostálgica, vai buscar, à sua maneira, o suposto objeto perdido que o retirou do paraíso enlaçado e gozante.
Matam e morrem, assim Thanatos se torna um companheiro de viagem, contraditoriamente, em busca do Eros perdido.

Desta forma, saímos definitivamente em busca da sensação paradisíaca do amor perdido. Elegemos, muitas vezes, os mais estranhos parceiros que supostamente nos levem de volta ao paraíso. Nem sabemos exatamente quem e quais são os supostos objetos de completude nostálgica e imaginária: “Ele tem um tcham”, “ela tem uma química”, “aquele ali me lembra alguém”, “aquela outra me traz algo diferente”, “é a minha cara-metade”…

Sendo assim, utilizamo-nos dos mais variados dispositivos para adquiri-lo: sedução, charme, dinheiro, violência, drogas, sexo, religião, respeito, moral… tudo em nome do amor! Nem que seja via Thanatos!
Uma vez “encontrado” o suposto objeto da felicidade, da presença de Eros, logo a coisa desanda novamente, Thanatos continua mais vivo do que nunca: “eu me decepcionei”, “ela me enganou”, “ele me espancou”, “ele não me completa”, “me enganei”… É assim, sempre, em muitos momentos da nossa vida.
Mas, não aprendemos nunca, estamos nós de novo às voltas com um “novo” objeto de completude, mesmo que seja o “velho”: “agora vai ser diferente”.

Ah, vai!

Então, é preciso perceber, mesmo que seja através de uma angústia intensa, a priori, que o sonho do paraíso imaginário foi só um sonho que nos fez humanos: Eros e Thanatos.
No mais, encerro-me com as palavras do Dr. Luis Flávio acima. Quem sabe, seja possível: “a capacidade de suportar pacientemente (como diz o apóstolo), os momentos inevitáveis dos desencontros, nos quais constatamos, aturdidos, que o outro não corresponde, em absoluto, às ilusões de completude que, ingenuamente, nele teríamos depositado. ”.

E viva o amor…

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 Autor: Cássio Vilela Prado /Gerais/Junho-2015

*Cássio Vilela Prado é Psicólogo em Brumadinho/MG.

CFP – 14070 – Especialista em Clínica pelo Conselho Federal de Psicologia-BR
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