November 18, 2017

Agende Sua Consulta: (15) 98119.7327 | Sorocaba - SP

Amor Nada Solidário

Amor Nada Solidário:

Da Lama de Mariana ao Sangue de Paris

 

Autor: Cássio Vilela Prado

 

 

Os atentados terroristas em Paris, no último dia 13, trouxeram à tona os fantasmas tenebrosos da catástrofe recentemente ocorrida na cidade mineira de Mariana, principalmente nas redes sociais (Facebook).

Mais do que os fantasmas catastróficos marianenses, suscitaram fantasmas bem mais arcaicos como a agressividade animal humana eventualmente represada no inconsciente, rompendo com os diques dos egos disfarçados de nacionalistas narcísicos e bairristas sociocêntricos.

Somem-se à agressividade suscitada e não contida pelo necessário bom senso egóico o vazamento também da inveja e do ciúme como mecanismos inconscientes intrínsecos ao fenômeno derramado.

Há sujeitos e grupos que reivindicam para si a exclusividade catastrófica, elegendo tão somente a dor ensejada pelo lamaçal de Marina, outros, atestam que o sangue derramado em Paris é mais doloroso. Travou-se uma pequena guerra entre a dor da lama excretada em oposição ao sangue que rompera os diques seguros parisienses.

Esquecem ou não percebem, todos os atores envolvidos nessa insana guerrilha virtual que aquilo do qual se queixam: a violência, a barbárie, a ganância, as tempestades de sangue e de lamas… todas essas, são as nascentes de todas as catástrofes, pois trazem subjacentes às suas escolhas solidárias a eliminação do outro diferente através do bombardeio verbal cínico, porém revelador de suas agressividades secretas.

Não existe desastre pior ou melhor do que o outro. Talvez o verdadeiro desastre é a eleição de um em detrimento de outros, pois assim sendo, revelam apenas sujeitos e grupos agressivos, ciumentos e invejosos.

No mais, em todos esses mecanismos suscitados pelo ataque terrorista sanguinário de Paris ou pelo lamaçal desprendido em Mariana, a violência imanente ao humano faz-se presente, inclusive na escolha para quem se solidarizar, pois se se elege apenas um deles, realiza-se um ato de solidariedade direcionada, com a subsequente eliminação de outro.

Assim fica evidente que a solidariedade humana se torna apenas algo regional e exclusivo, portanto, indo somente até onde os seus narizes e os umbigos apontam, perdendo totalmente o caráter humanitário em geral.

É importante perceber que o amor solidário desconhece as exclusividades do si mesmo. Ele deve ser para si, para todos os outros, caso contrário não é amor solidário, é amor oportunista seletivo, portanto eliminador da diferença e, assim, ao invés do amor como um ato de solidariedade, torna-se, sem que se possa, às vezes perceber, em seu inverso, no ódio eliminador do outro.

Portanto, para amar o próximo, tarefa nada fácil, desnecessário se torna colorir bem as bandeiras de suas causas umbilicais identificatórias, mas em abrir as comportas dos diques egoístas e seletivos.

O amor solidário não tem cor, não tem pátria, nem cidade. O ódio sempre tem.

Cássio Vilela Prado. 

Brumadinho (MG), 16 de novembro de 2015.

____________________________________________________________

Fonte Imagem: http://revistagalileu.globo.com/Ciencia/Psicologia/noticia/2015/03/

 

Sobre o(a) Autor(a)

Psicanálise e Amor

Quer ser um colunista deste site?
Entre em contato.
Contato: caroline@psicanaliseeamor.com.br

Artigos Relacionados

Deixar um Comentário/Resposta